AULA 1
Esta aula, chamada de ‘aula zero’ tratou de, pelo menos, três conceitos principais e alguns correlatos: CULTURA; ETNIA; RAÇA. Os correlatos: IDENTIDADE, IDEM, IPSE, ALTER
CULTURA: Existem vários entendimentos possíveis sobre este conceito. Uma das grandes coisas que devemos saber sobre este termo, é que ele não tem ainda uma definição precisa. Por este motivo afirmamos que existem entendimentos sobre o termo ‘cultura’.
A maior parte das coisas que se falam sobre cultura, relacionam a idéia de cultura a conhecimento, tradições e coisas antigas. O que não deixa de ser um fato constatável em nossa prática cotidiana. Por outro lado, esta compreensão não nos permite responder algumas perguntas, tais como: o que diferencia os grupos humanos? Existem manifestações culturais válidas ou não-válidas?
O conceito apresentado para nossos colegas foi o seguinte: cultura refere-se a de conhecimento humano, produzido e reproduzido mediante a utilização de símbolos. Note-se que estes mesmos símbolos não mudam, mas agregam novos significados em diferentes grupos humanos e em diferentes épocas. Esta conceituação tem seus limites, mas servirá para desenvolvermos nosso raciocínio.
A partir daí decorrem duas idéias. Primeiramente, cultura é um termo plural. É inadequado nos referimos a ela como cultura. São Culturas. Pensar, por exemplo, na cultura brasileira como única é assaz inapropriado. Pense. Um gaúcho tem as mesmas práticas que um marajoara? Claro que não.
Em segundo lugar, as culturas são dinâmicas. Pela capacidade de agregar múltiplos significados, o dinamismo é uma conseqüência lógica. Não faz sentido, afirmarmos categoricamente que esta ou aquela manifestação cultural é ‘autêntica’, legítima ou ‘original’. Ela é legitima dentro de seu significado aqui e agora.
O desdobramento feito em sala de aula concentrou-se no termo IDENTIDADE. Isto foi feito pensando que, as dada a definição inicial de cultura(s) pode-se afirmar que os grupos humanos se definem por suas práticas culturais específicas ( ETNIA ), em especial a linguagem. A definição e diferenciação dos grupos humanos conduz a uma discussão sobre o conceito de Identidade.
Assim como a Cultura, a identidade é um termo plural e dinâmico. Mas ela não se esgota em si mesma. A identidade é feita de pelo menos três partes: O IDEM, o ALTER, e o IPSE. Vamos comentá-los brevemente.
O IDEM, é o eu único. Quando pergunto lhe pergunto: ‘quem é você?’ você tende a apresentar a si mesmo. Parece confuso, mas o IDEM refere-se ao seu eu, único. Você e nada mais. Por outro lado, o seu idem toma como referencia os seus iguais, o IPSE. Por exemplo, sou Marcelo ( IDEM ) e sou homem ( IPSE ) .
Agora temos o ‘pulo do gato’. A identidade necessita do outro. Por que? Pense, se você é brasileiro, isso ocorre pois você se vê como tal ( IDEM) e se vê nos outros brasileiros ( IPSE). E se os argentinos não perceberem você como brasileiro? Como é que fica? Por este motivo o Outro é fundamental : eis aí a função do ALTER, traduzindo, o Outro.
Tal e qual a definição de cultura, esta compreensão da idéia de identidade traz consigo uma série de implicações. No estudo de outras culturas, o respeito ao outro é fundamental, pois no estranho, no diferente, temos uma parcela de nossa própria identidade. Daí passamos para os dois últimos pontos da aula 1.
ETNIA pode ser compreendida como uma forma de identificação de grupos humanos que toma como referência suas respectivas práticas culturais. Não se preocupa com aspectos fenotípicos ( aparência ) como a classificação criada no século XIX, de forte influência Evolucionista, RAÇA.
Este ultimo termo, RAÇA, também merece algumas considerações. A priori, o termo RAÇA não tem sustentação científica. Em outras palavras, RAÇA não existe. Utiliza-se este termo comumente, só que o próprio conceito de raça já foi derrubado na antropologia no século XX e com os recentes avanços no estudo dos gens constatou-se que, de fato, não existem diferenciações entre grupos humanos de natureza da sua cor de pele, mas sim diferenciações de cunho cultural, ou ÉTNICAS.
AULA 2
A ANTROPOLOGIA E AS ESCOLAS EVOLUCIONISTA E FUNCIONALISTA
Conhecemos como Antropologia, a área de conhecimento que estuda a diversidade cultural dos seres humanos, desenvolvida inicialmente no século XIX. Como toda ciência, a antropologia tem diversas escolas teóricas ( abordagens ou paradigmas)que a influenciam.
A primeira grande influencia no pensamento antropológico, foi o pensamento EVOLUCIONISTA, ou também chamado de DARWINISMO SOCIAL. Em linhas gerais, o Evolucionismo aplicado as ciências humanas entendias sociedades como um produto de um processo histórico que iria terminar na avançada sociedade industrializada e européia do século XIX.
Como se vê, esta abordagem era evidentemente ETNOCÊNTRICA e EUROCÊNTRICA: localizava a cultura européia como o centro do mundo e a considerava um padrão para avaliar as culturas externas do Velho Mundo.
Já no início do século XX uma nova tendência de estudo das culturas foi apresentada por novos antropólogos encabeçados pelos estudiosos Malinowski e Radcliffe-Brown: O FUNCIONALISMO.
Esta nova escola apresentou várias inovações na teoria e no método antropológico.
No aspecto teórico, a escola Funcionalista partia da suposição que as culturas são únicas, singulares. Devem, justamente por este motivo, serem estudadas em sua singularidade, e estas por sua vez, entendidas dentro de seus contextos particulares. Lá residiria o sentido de, por exemplo, do porque que os orientais usam como talheres dois pauzinhos e não garfos e facas; antes de ser um dado ‘estranho’, as características de cada cultura são elementos a serem devidamente estudados: cada traço cultural corresponde a uma FUNÇÃO específica em uma dada sociedade. Estas funções, por seu turno estão interligadas a outras funções e traços culturais de forma interdependente.
No aspecto metodológico, os funcionalistas introduziram a prática da OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE e a DESCRIÇÃO DENSA. O pesquisador funcionalista entendia que, para a total compreensão de um fenômeno qualquer,era necessário que ele mesmo participasse da cultura a pesquisada. Para tanto é fundamental que o mesmo pesquisador fale a língua do estudado e participe de sua vida e seus rituais cotidianos.
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